Compradores norte-americanos de pedras brasileiras estão agora diante de uma divisão tarifária que importa em nível de produto. No âmbito de uma nova ação da Seção 301, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma alíquota única de 25% sobre uma ampla gama de importações brasileiras. No setor de pedras, a proposta alcança granito, mármore, ardósia e quartzo engenheirado. A exceção de destaque é o quartzito natural classificado no código HTS 6802.99.00, listado como "Other Stone" (outras pedras). Para importadores, distribuidores e compradores de projetos, essa isenção é o item comercialmente mais importante do aviso.
O que a proposta de 25% abrange
O USTR afirma que a ação proposta decorre de sua determinação de que o Brasil adotou atos, políticas e práticas "irrazoáveis" em áreas como comércio digital e pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O mesmo comunicado do USTR informa que os Estados Unidos mantêm atualmente um superávit comercial com o Brasil superior a US$ 14 bilhões. Para as empresas de pedras, a questão não é rediscutir o debate político mais amplo, mas entender como a lista de produtos está sendo definida.
O cronograma definido também é claro. Os comentários por escrito podem ser enviados até 1º de julho de 2026. Os pedidos de participação na audiência devem ser apresentados até 22 de junho. A audiência pública está marcada para 6 de julho, em Washington, e o processo tem previsão de conclusão em torno de 15 de julho. Cabe notar um ponto neutro de contexto jurídico: esse caminho pela Seção 301 ocorre depois de uma restrição, em fevereiro de 2026, da autoridade tarifária emergencial mais ampla do governo, o que ajuda a explicar por que a ação está sendo conduzida por uma via mais específica do direito comercial.
Dentro do setor de pedras, a divisão comercial é clara. Granito, mármore, ardósia e quartzo engenheirado estão todos dentro da ação proposta de 25%. O quartzito natural classificado no HTS 6802.99.00 não está. Isso não elimina a incerteza, porque os compradores ainda precisam acompanhar o processo de comentários e a lista final publicada. Mas cria, hoje, uma distinção prática entre materiais que sofreriam um choque de custos imediato e uma categoria de pedra natural que permanece fora da cobrança proposta.
Por que a isenção do quartzito é relevante
A isenção é relevante porque o quartzito já ocupa uma posição estratégica no mercado premium de chapas para bancadas. No conhecimento de produto da StoneTrades, o quartzito natural é tratado como uma pedra siliciosa e dura, com alta resistência a arranhões, baixa sensibilidade a ácidos em comparação ao mármore e capacidade de exibir veios marcantes que atraem compradores que ainda buscam um visual de alto padrão. Variedades comerciais conhecidas, como o quartzito Taj Mahal, se encaixam nessa lógica de especificação. Em outras palavras, a isenção protege uma família de materiais que muitos distribuidores já consideram comercialmente resiliente.
Ela também cria uma separação mais clara entre quartzito natural e quartzo engenheirado. A tarifa proposta incide sobre o quartzo engenheirado — ou pedra aglomerada —, mantendo o quartzito natural isento. Para os compradores, isso significa que a codificação do produto e a identificação do material se tornam mais importantes, não menos. A descrição de vendas do fornecedor não é suficiente. Os importadores precisarão de alinhamento entre a fatura comercial, a classificação aduaneira, a rotulagem e a natureza geológica real do produto, especialmente onde o mercado ainda usa nomes comerciais de forma imprecisa.
O alerta sobre conhecimento de produto é tão importante quanto a oportunidade. Nem todo material vendido como "quartzito" se comporta da mesma forma. Algumas pedras rotuladas comercialmente permanecem mais próximas do mármore dolomítico em sensibilidade a ácidos e resposta a arranhões. Se você pretende usar a isenção do quartzito como parte de uma estratégia de fornecimento, faz sentido combinar a revisão aduaneira com uma revisão técnica básica: verifique a família da pedra, confirme o tratamento aplicável no HTS com um despachante aduaneiro ou advogado e mantenha a discussão sobre desempenho do material ancorada no lote real de chapas, e não em uma linguagem genérica de vendas.
Como os compradores devem se preparar para julho
Entre agora e o início de julho, a principal tarefa de compras é separar fatos concretos do ruído de mercado. As datas definidas já dão aos importadores elementos suficientes para revisar cotações de julho, premissas aduaneiras e janelas de validade das cotações. Projetos expostos a granito, mármore, ardósia ou quartzo engenheirado de origem brasileira podem precisar de cláusulas mais claras de contingência de custos se as remessas chegarem depois do período de comentários e da janela da audiência. Projetos baseados em quartzito natural não devem assumir risco zero, mas têm uma base mais sólida de continuidade dentro da lista como proposta.
Isso não significa que todo comprador deva migrar de materiais imediatamente. Alguns projetos manterão a especificação atual e simplesmente ajustarão prazos, frete e planejamento aduaneiro. Outros poderão usar o processo de julho para reavaliar se o quartzito natural isento pode atender aplicações de bancadas que, de outra forma, iriam para categorias tarifadas. O importante é tomar essas decisões com clareza em nível de produto. Nesta proposta, o fato comercialmente decisivo não é que o Brasil enfrente uma ação ampla da Seção 301. É que a lista traça uma linha nítida entre o quartzito e várias outras categorias de pedras e superfícies.
O próximo ponto real de decisão é o ciclo de audiências de julho. Se a ação final permanecer próxima da proposta, o quartzito de origem brasileira continuará em uma posição materialmente diferente da do granito, do mármore, da ardósia e do quartzo engenheirado de origem brasileira. Por isso, os compradores devem usar esta janela de comentários para revisar classificações, confirmar substituições de projeto quando couber e organizar a documentação de fornecimento para deixar clara a diferença entre quartzito natural e quartzo aglomerado. Em um cenário político cheio de argumentos amplos, essa é a distinção técnica específica que pode realmente mudar uma decisão de compra.
Fontes
- StoneNews.eu — "EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras: como o mercado de pedras naturais é afetado"
- Stone Update — "Tarifas dos EUA sobre o Brasil podem voltar"
- USTR — "Determinação da Seção 301 sobre atos, políticas e práticas irrazoáveis do Brasil"
- Federal Register — "Aviso de determinação e pedido de comentários sobre ação nos termos da Seção 301: Brasil..."